segunda-feira, 27 de dezembro de 2010


O comportamento sexual pode ser um reflexo hereditário, um aspecto médico, cultural, circunstancial, etário e pessoal. A sexualidade é muito complexa, tanto qualitativamente como quantitativamente.


Hipersexualidade


A maioria das pessoas com sintomas de hipersexualidade não apresentam nenhum sintoma aparente, de outra disfunção neuropsiquiátrica. Será correcto pensar-se numa patologia para estas pessoas, ou seja, estamos perante uma condição médica, ética ou pessoal?


Para se pensar na hipersexualidade como patológica, segundo os autores e as directrizes da psicopatologia, o Comportamento Sexual Compulsivo deveria causar sofrimento emocional e proporcionar sérias consequências interpessoais, ocupacionais, familiares e financeiras. Mesmo assim, este seria um critério dúbio, pois se há uma sexualidade patológica, na qual o apetite e as fantasias sexuais aumentam a tal ponto que ocupam quase todos os pensamentos e sentimentos, estariamos perante um Obsessivo-Compulsivo com sintomatologia sexual.


Por outro lado, se a pessoa exige gratificação sexual sem maiores considerações éticas, morais e legais, envolvendo-se numa sucessão impulsiva e insaciável de prazeres, está-se perante uma Perturbação Borderline da Personalidade, com sintomas sexuais.


Contudo, o Comportamento Sexual Compulsivo pode ainda estar associado a outras doenças psiquiátricas, particularmente ao abuso de substâncias psicoactivas, Perturbações da Ansiedade, Perturbações da Personalidade e outras Perturbações do Controlo de Impulsos.


É muito difícil diagnosticar qualquer destas Perturbações ou Comportamentos de Hipersexualidade. Múltiplos factores devem ser tidos em consideração para um bom diagnóstico.


As pessoas devem deixar os termos ninfomania e donjuanismo, rótulos prejorativos que só trazem problemas na definição das Patologias relativas à Sexualidade.


Para mais informações consultem





segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sessões técnicas


Na passada sexta-feira a Unidade de Educação Sexual promoveu a realização de duas sessões técnicas na escola.

Os alunos de CTE.10.13 e CTR.10.13 foram as turmas que receberam a Dra. Hermengarda Pinto para mais um ano de apoio à Sexualidade saudável na Escola.

As turmas entusiasmaram-se com a sessão técnica, colocaram questões; em suma, colaboraram para o sucesso da sessão técnica.

Esperemos que os seus comportamentos e atitudes face à sexualidade evoluam favoravelmente tendo em vista a prevenção e a promoção da sua saúde.



Aproximam-se mais novidades da Unidade de Educação Sexual.



Até lá gostava de receber propostas dos nossos alunos para mais actividades da Unidade de Educação Sexual.



UES - Unidade de Educação Sexual

quarta-feira, 10 de novembro de 2010


O autismo é visto como uma disfunção global do desenvolvimento. É uma alteração que afecta a capacidade de comunicação do indivíduo, de estabelecer relacionamentos e de responder apropriadamente ao ambiente, segundo as normas que regulam essas respostas.




Diz-se muito que um autista tem um atraso no desenvolvimento cognitivo, contudo estes indivíduos podem ter competências bastante desenvolvidas.




Alguma vez viram uma pessoa a desenhar em espelho? A falar outra língua que não a sua de forma corrente e clara?




É possível que sim, mas são poucas que conseguem desenvolver estas competências de forma exemplar.




Um autista tem dificuldades na relação com os outros e até pode ter dificuldades de linguagem levando às dificuldades cognitivas. Contudo, a maioria dos autistas desenvolvem uma competência de forma extraordinária, e podem ter sucesso profissional derivado dessa sua competência.




É altura de deixarmos de ver um autista como alguém incapaz de....


Vamos focar as suas capacidades e vamos tentar usufruir ao máximo delas para o ajudarmos a combater as suas dificuldades.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Síndrome do Afecto


Sabem o que é a Síndrome do Afecto?

É a Síndrome de Down vista de uma forma positiva, única e genuína.

Todos deverão saber que a Síndrome de Down geralmente está associada a algumas dificuldades do desenvolvimento cognitivo, ou se lhe quisermos chamar, da inteligência cognitiva e desenvolvimento físico, assim como de aparência facial. A síndrome de Down é geralmente identificada no nascimento e advém de uma má formação congénita (durante a replicação de cromossomas na gravidez) do cromossoma 21.


Mas será esta síndrome apenas este fenómeno negativo e que deprime pais, amigos, familiares, população?

Sabiam que estas crianças e adultos têm uma Inteligência Emocional enorme, capazes de amar qualquer um pelos seus defeitos? Capazes de compreender que, não compreendendo, estamos num dia péssimo, e esquecendo, perdoam quando as magoamos?

Estas crianças e adultos são genuínos, incapazes de mentir, adaptam-se às relações interpessoais de forma única, porque se entregam às emoções. Só desconfiam de pessoas externas à família nuclear e que as magoam.

Ontem iniciei um trabalho com um menino de nome ficticio João. O João tem uma síndrome ligada ao cromosso 16, muito rara. O João e os pais realizaram os mais diversos exames e lutam diariamente por um diagnóstico mais positivo que não identifique atraso, que lhes digam que o filho é uma criança "normal". Todos os dias passam por provas e exercícios de estimulação, cansativos e torturantes. É difícil compreender o que o João diz, contudo, a sua linguagem não verbal é extraordinária. Com um gesto ou uma expressão facial facilmente compreendemos necessidades, sentimentos, emoções.

Poderiamos referir de forma egoísta que quem precisa de amor deveria ter por perto uma criança como o João. Esse sentimento seria completamente preenchido.

Mas preocupando-nos com os outros, o João como outras crianças só precisa de um pouco do nosso tempo para evoluir e nós precisamos do dele para sermos pessoas mais ricas nas relações interpessoais.

Aqui fica um vídeo demonstrativo da riqueza das crianças e adultos com síndrome do Afecto.


Bons afectos.

A diferença

Caros alunos!

A Unidade de Educação Sexual tem este ano um novo tema. Procuramos valorizar as diferenças pelas coisas positivas que nos trazem.

Poderão achar que é surreal ou que não existem, contudo vamos mostrar-vos que as diferenças têm o seu lado fantástico que deverá ser sempre mais valorizado que o lado negativo.

Convidamos toda a comunidade escolar a partilhar diferenças, valorizando-as.

"Todos diferentes, todos iguais".

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Gravidez na adolescência

A adolescência é um período complexo e difícil, intensamente vivido, dado que é marcado por modificações rápidas a diversos níveis e por desafios e problemas cuja resolução marcará profundamente a vida futura. Não sendo já criança e não sendo ainda adulto, o adolescente vive uma excitante e arriscada fase de transição. Esta é uma época caracterizada por múltiplas transformações: biológicas, cognitivas, sociais e afectivas. A adolescência é a alvorada de uma nova era, uma espécie de segundo nascimento, uma viagem à procura de si próprio, da sua identidade pessoal, para ser responsável pela sua própria vida.


Dentro das transições normais da adolescência, contamos com as primeiras relações intímas com uma pessoa, normalmente, do sexo oposto; as primeiras experiências com substâncias ilícitas, embora, felizmente, não para todos os jovens; a entrada no mundo do trabalho; a ida para a Faculdade. Dentro desta "normalidade" o jovem encontra inúmeros obstáculos, dificuldades e desafios que muitas vezes os entristecem, na melancolia repentina de um jovem, que nem sempre sabe se escolheu o que realmente gosta ou quer ser. As dúvidas pairam no ar em cada movimento, em cada escolha.


Se a este turbilhão de emoções pela busca da sua identidade, o jovem encontra uma transição inesperada, como uma gravidez, a sensação de perda, de sofrimento, de futuro vazio, aumentam.

O jovem sente-se sozinho no meio do labirinto cheio de monstros, sem uma saída ou uma luz que lhe indique as opções a seguir. O desespero aumenta diariamente quando pensa no melhor discurso para dizer aos pais, ou numa forma de pedir ao (à) companheiro (a) para abortar. Além de todas as decisões relativamente a si próprio, agora terá de pensar num "nós" inimaginável a um jovem que deseja um futuro recente individual. O adolescente é egocêntrico, tal como as crianças, e por isso nesta fase terá muitas dificuldades em pensar noutra coisa se não, no melhor para ele próprio. É muitas vezes a rapariga que assume socialmente o erro, se é que se pode chamar de erro a algo tão natural como gerar um filho. A rapariga treinada e educada para servir mais aos outros, decide muitas vezes, juntamente com os pais, levar a gravidez a bom porto, e normalmente, fica sozinha porque, o pai adolescente raramente assume uma criança que lhe pode destruir o futuro.


Pela quantidade de vivências que os jovens têm pela frente, pelo egocêntrismo que apresentam, pelo futuro tão almejado, pede-se aos jovens que vivam tudo intensamente, mas que se protejam deste desconforto, desta ansiedade, destes medos...usem um dos métodos contraceptivos de que já falamos anteriormente, e sejam felizes.


Uma gravidez deve ser desejada por ambos, porque um filho, ainda, precisa de duas pessoas para ser concebido; e também deve ter duas pessoas que o ajudem a crescer.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Gravidez e cultura


Hoje comemora-se o Dia Internacional da Criança.


Deste modo, vamos iniciar hoje no nosso blog o tema da gravidez.


Estudos transculturais sobre costumes, mitos e superstições manifestam-se de grande interesse na compreensão da psicodinamia da gravidez. As diferenças entre povos primitivos e povos ocidentais são interessantes para o desenvolvimento do feto. Enquanto nos povos primitivos é geralmente praticada a frugalidade (a mulher grávida come pouco e os seus desejos alimentares são contrariados), nos povos ocidentais existe a ideia generalizada que a boa alimentação da grávida é essencial para o desenvolvimento do feto e os apetites da grávida são satisfeitos ou mesmo encorajados. Curiosamente, nos povos primitivos em que a regressão oral é contrariada são raras as náuseas e os vómitos enquanto que nos povos em que a oralidade é estimulada existem, com frequência, náuseas e vómitos durante a gravidez.


Relativamente à genitalidade passasse o inverso: enquanto que nas culturas primitivas existe a ideia de que as relações sexuais durante a gravidez são benéficas para fortalecer o feto, nas culturas ocidentais pensa-se que podem prejudicá-lo. Assim, enquanto que nas culturas primitivas se acredita que o sémen ajuda a desenvolver o feto, os povos ocidentais consideram que o que é importante não é a genitalidade mas sim a alimentação da grávida.


No que diz respeito aos tabus, as teorias psicodinamicas de Freud explicariam alguns fenómenos interessantes que deixarei para quem tiver curiosidade em saber mais. Podem procurar essa informação na Unidade de Educação Sexual da EPN.